"Dito Pelo Não Dito" entrevista: Alessio Esteves

(Texto originalmente publicado no Medium)

Neste momento, está em financiamento coletivo no Catarse o livro “Dito Pelo Não Dito”, organizado por mim e pelo Pedro Hutsch Balboni, com mais 10 autores e um ilustrador!

Alessio Ianone Esteves é um dos participantes. Escritor e roteirista de quadrinhos, ele nos contou sobre a escrita em sua vida e sobre seus projetos. Apoiando “Dito Pelo Não Dito”, você ajuda a dar vida a mais um projeto com o toque deste mago-bardo-ninja! Conheça mais sobre o projeto AQUI e leia abaixo a conversa que tivemos com o Alessio.

 

O que te levou para a escrita?

Eu sempre li muito e chega aquele momento em que você começa a querer fazer suas próprias histórias. Minhas brincadeiras já tinham um pouco disso, quando fazia crossovers de bonequinhos em histórias seriadas e com cronologia, ou desenhava em um papel meus próprios personagens, recortava e criava histórias em cima da mesa.

Na minha escola havia sempre uma atividade onde tínhamos que fazer um gibizinho de folhas de sulfite dobradas ao meio e grampeadas. Você podia fazer colagens ou desenhar e eu sempre desenhava.

A primeira experiência que tenho lembrança com uma história própria veio daí. Na quarta série da época (se não engano) fiz uma história do Penadinho onde ele e o Anjinho iam ao Inferno resgatar alguém que tinha ido para lá injustamente. Não lembro mais detalhes da trama, mas a capa era o Penadinho dando uma de toureiro no próprio Diabo!

Aí depois no ginásio as aulas de redação e os jogos de RPG como mestre foram aos poucos criando este monstro.

 

Qual foi a primeira coisa que você escreveu e achou o resultado bacana?

A primeira vez em que percebi o poder da ficção foi no segundo colegial, em uma aula de redação. O professor pegou uma imagem de um coração desenhado na areia de uma praia e pediu para fazermos um texto em cima daquilo. Aí eu percebi que bem na pontinha do coração uma onda estava vindo e ia apagar tudo e resolvi fazer minha história em cima disso.

Contei sobre um cara que tinha levado um pé na bunda e tava andando pela praia, triste, lembrando da namorada e de como terminaram, essas coisas. Aí ele volta a si e percebe que desenhou um coração na areia. Vem a onda, apaga, ele olha pra cima e agradece, entendendo o recado.

Aí um cara que sentava do meu lado na sala pegou a minha redação e começou a ler em voz alta, para me zoar. Aconteceu que todo mundo ficou interessado e parou pra ouvir, até o professor. Deu o sinal de que a aula tinha acabado, mas a leitura continuou. O professor da aula seguinte chegou, viu todos ali ouvindo o cara lendo e esperou.

Quando acabou, todos aplaudiram e alguns inclusive acreditaram que aquilo tinha rolado de verdade comigo!

Quais seus interesses, e como isso te influencia na hora de escrever?

Meus interesses de bate pronto envolvem leitura em geral. Aí entram quadrinhos, RPG, jornal (sou viciado em política) e livros diversos. Mas na hora de escrever tudo isso se mistura com sua vivência: coisas que você viu, ouviu, jogou, conversou, sentiu… enfim, tudo.

Aí quando vou sentar e escrever acaba rolando uma decupagem de tudo isso pra ver o que serve para a história que você quer contar. Muitos autores centram suas tramas, seja de literatura ou quadrinhos, em uma mensagem a ser passada e estruturam cenários e personagens em cima dela. Ainda penso em fazer algo assim, mas no momento busco contar boas histórias que mexam com as pessoas, nem que seja um sorriso de poucos segundos.

Uma coisa que tem rolado é fazer histórias baseadas em sonhos. Por exemplo, minha HQ do Gibi Quântico #2 é um longo sonho que adaptei para caber em 10 páginas e mudei alguns elementos que envolviam personagens da DC Comics.

 

 

Como está sendo sua experiência com este projeto?

Sou um fã da série de livros “Wild Cards”, publicada aqui no Brasil pela Leya. O que norteia todos os livros é uma visão mais realista de como seriam pessoas com superpoderes em nosso mundo, mas a grande sacada é que é uma obra coletiva. O editor (que por sinal é George R. R. Martin, de “As Crônicas de Gelo e Fogo") traça os conceitos básicos com todo mundo e os autores são livres para explorá-los. Então, quando o Rodrigo me convidou para o projeto, não tinha como negar!

Curti a premissa, o desenvolvimento e senti o peso de escrever o capítulo 10, que é quando o bicho começa a pegar de verdade. Mas a parte mais difícil mesmo é não saber o final! Sim, caríssimos leitores e colaboradores da campanha, Pedro e Rodrigo passaram a cada autor convidado o roteiro somente até a parte em que ele iria escrever, então vamos saber o final da história junto com vocês!

No mais, este é meu primeiro projeto coletivo e admiro a coragem do Pedro e do Rodrigo de entregar uma obra para outras pessoas tocarem, mas tenho plena certeza que de que estão se divertindo tanto quanto eu.

 

Tem algum plano futuro relacionado a literatura?

Tenho dois, ambos de faroeste fantástico. Um é uma novela chamada “O Grande Lagarto Tirano” que comecei a fazer para um NaNoWrimo e não terminei. Envolve caubóis e dinossauros e devo publicar em formato e-book no ano que vem.

O outro é uma série de livros pulp em torno de uma cidade chamada Tombstone City. É uma mistura de músicas do Matanza com doideiras minhas, e o primeiro livro já está pronto. O título é “Tombstone City — A Maldição” e já está escrito, revisado, diagramado e ilustrado. Como vou lançar de maneira independente, estou levantando a grana da impressão.

 

O que faltou dizer e não pode ficar dito pelo não dito?

Por muito tempo na minha vida eu falei demais e estou tentando exercer a Arte do Silêncio, hehehehe… É um lance bem difícil, mas economiza energia e te poupa de muitas tretas!

Mas deixo aqui um conselho muito importante: usem sabonete.

 Sabonete é importante.

Sabonete é importante.

 

Gostou? Conheça "Dito Pelo Não Dito" AQUI.